• NOTA DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE VIROLOGIA SOBRE OS RESULTADOS DE EFICÁCIA DA VACINA CORONAVAC, DA SINOVAC-BUTANTAN

    NOTA DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE VIROLOGIA SOBRE OS RESULTADOS DE EFICÁCIA DA VACINA CORONAVAC, DA SINOVAC-BUTANTAN

     

    NOTA DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE VIROLOGIA SOBRE OS RESULTADOS DE EFICÁCIA DA VACINA CORONAVAC, DA SINOVAC-BUTANTAN

     

    Nos últimos dias os brasileiros acompanharam com atenção e ansiedade a revelação dos
    resultados parciais do estudo de fase III da vacina CoronaVac, produzida pela farmacêutica
    Sinovac e formulada nacionalmente pelo Instituto Butantan.
    A Sociedade Brasileira de Virologia – SBV – se encontra intensamente inserida em diversas
    frentes de ação relativas à COVID19, acompanhando estudos sobre o vírus SARS-CoV2 e
    respectivas derivações, ou no acompanhamento e aconselhamento de políticas e ações
    de saúde públicas relacionadas à pandemia. Assim, diante das diversas manifestações
    acerca dos dados da eficácia da CoronaVac, a SBV não poderia deixar de posicionar.
    Primeiramente, cabe considerar o contexto atual da epidemia, particularmente em nosso
    País. O Brasil encontra-se em plena escalada do pico de casos e óbitos, com médias móveis
    ainda maiores do que aquelas observadas nos meses de junho a agosto de 2020, momento
    de pico epidêmico no ano passado. Soma-se a este contexto o fato de que diversos países
    no mundo já apresentaram planos nacionais de vacinação, com realização de contratos
    de aquisição de doses por laboratórios que iniciaram os processos de licenciamento
    emergencial de seus produtos. No Brasil, as estratégias públicas de vacinação e acordos
    para obtenção de doses de vacinas aprovadas emergencialmente ainda estão em
    construção.
    Os dados apresentados pelo Instituto Butantan, no estudo de eficácia da CoronaVac,
    indicaram 50,38% de eficácia global como desfecho primário, e entre 78 a 100% de
    eficácia na prevenção de doença moderada ou grave como desfecho secundário. Embora
    a eficácia global aferida esteja próxima do limiar inferior preconizado por órgãos
    internacionais de saúde para licenciamento e uso de uma vacina contra COVID19, a SBV
    considera que a produção e aplicação em larga escala da vacina poderá ser uma
    ferramenta importante e essencial para o controle da doença no Brasil neste momento.
    Ainda que a chance de uma pessoa vacinada se infectar exista, em razão da eficácia global
    mediana da vacina, a capacidade do imunógeno em limitar a ocorrência de casos graves
    e moderados reduz sensivelmente o impacto da epidemia junto aos agentes de saúde,
    reduzindo a pressão causada pelo adoecimento moderado e grave da população sobre
    hospitais e postos de saúde públicos e privados.
    Como todos sabemos, a capacidade do sistema de saúde local em lidar com o fluxo de
    pessoas doentes é ponto central nas respostas de enfrentamento à pandemia em todo
    mundo. Acontecimentos recentes como aqueles vistos na cidade de Manaus, com o total
    colapso da assistência à saúde, formam uma imagem extremamente vívida e dolorosa dos
    impactos da COVID19. A aplicação de uma vacina como a CoronaVac, ainda que não seja
    a ideal em vista de sua eficácia global, pode conferir tempo precioso para que outras
    possam ser adicionadas ao escopo de vacinas passíveis de uso no Brasil. Mais do que isso,
    o uso de vacinas como estas nos dá fôlego para que tenhamos condições de aguardar pelo
    desenvolvimento de vacinas melhores sem que haja o colapso dos sistemas de saúde nas
    cidades Brasileiras. Assim, a SBV apoia a utilização apolítica e responsável da vacina
    CoronaVac, entendendo que esta pode ter impacto importante e positivo no combate
    nacional a esta terrível epidemia.

    Sociedade Brasileira de Virologia – SBV

    Belo Horizonte, 14 de janeiro de 2021

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