• Com base em Evidências Científicas Virologistas Recomendam o Distanciamento Social

    Com base em Evidências Científicas Virologistas Recomendam o Distanciamento Social

    CartaDistSocialSBV.pdf (1)

     

    O colegiado dos Ex-Presidentes e a atual Diretoria da Sociedade Brasileira de Virologia
    (SBV), entidade que congrega virologistas do país e de alguns países da América
    Latina, vem a público reiterar a importância do distanciamento social nesse momento
    com o intuito de retardar a disseminação da epidemia de coronavírus no Brasil.
    Com base nas recomendações dos especialistas em todas as áreas de Saúde Pública,
    da Organização Pan Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde
    (OMS), nós da SBV enfatizamos que este procedimento é essencial para mitigar a
    transmissão do vírus e permitir a redução do número de casos de SARS-CoV-2 (COVID19).

    O distanciamento social não só tem o objetivo de proteger os cidadãos brasileiros,
    mas principalmente, evitar a sobrecarga dos sistemas de saúde público (Sistema Único
    de Saúde – SUS) e privado. Somos todos trabalhadores e cidadãos, sensíveis às
    dificuldades econômicas que serão ainda mais sentidas na parcela menos favorecida
    da população brasileira. A exemplo de outros países, é um dever do Estado e de
    economistas determinar as ações para minimizar estas consequências. Nós virologistas
    temos por princípio, além do desenvolvimento científico, salvar vidas, o que acreditamos
    ser neste momento a prioridade.
    Sabemos pelo histórico de outras epidemias que, subestimar a magnitude da sua
    extensão, por achados iniciais, é catastrófico. Não esqueçamos que no início da
    pandemia de HIV-1 muitos acreditaram que a doença só atingiria os homossexuais
    masculinos, e que a microcefalia induzida pelo vírus Zika não havia sido
    adequadamente relatada até sua disseminação nas Américas. Na atual epidemia é bom
    lembrar que o relaxamento de medidas de contenção certamente contribuiu para a
    disseminação do vírus e do maior impacto da letalidade em locais específicos da Itália
    e hoje nos USA. O Reino Unido também tentou a via de não utilizar o distanciamento
    social e logo precisou voltar atrás nesta decisão. As estimativas de estudos
    internacionais apontam perspectivas sombrias para nosso país, com a possibilidade de
    aproximadamente 44.000 óbitos, mesmo adotando um distanciamento social (mais
    abrangente). Por outro lado, o isolamento parcial, não recomendado por especialistas
    em Saúde Pública, OPAS e OMS, poderia atingir mais de meio milhão de mortes,
    relacionadas à COVID-19. A perspectiva pode ser ainda pior, visto que na Itália, por
    exemplo, já foram reportados 18.000 casos de jovens apresentando quadros graves de
    COVID-19, contrariando a ideia corrente de que apenas idosos são vítimas do vírus, o
    mesmo ocorrendo em outros países. Nenhuma morte é justificável se pudermos evitar
    por meio de uma medida simples.
    O distanciamento social já se mostrou eficaz em outras epidemias nas quais nem
    mesmo contávamos com as tecnologias de diagnóstico e a robustez de ferramentas
    científicas disponíveis atualmente. Tais tecnologias de monitoramento da circulação do
    vírus e da resposta imune dos indivíduos pode, inclusive, ser a chave para o retorno da
    população economicamente ativa às atividades laborais, de forma segura e sem o risco
    de novas ondas epidêmicas. O distanciamento social é um ato baseado na história
    pregressa e atual das epidemias virais, com evidências científicas comprovadas e
    favorece, principalmente, um tratamento digno das pessoas que necessitam de um leito
    hospitalar.
    O isolamento horizontal é a chance de reduzirmos a ocorrência de vários casos graves
    da COVID-19, cujo comprometimento também se estenderá a população mais jovem e
    mais produtiva.
    Finalmente, nos colocamos à disposição do Ministério da Saúde e do Ministério da
    Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações para qualquer colaboração que seja
    da nossa competência.

    Ex-Presidentes
    Bergmann Morais Ribeiro, UnB
    Clarice Weis Arns, Unicamp
    Edison Luiz Durigon, USP
    Edson Elias da Silva, Fiocruz
    Erna Geessien Kroon, UFMG
    Eurico de Arruda Neto, USP-RP
    Luiz Tadeu Moraes Figueiredo, USPRP
    José Paulo Gagliardi Leite, Fiocruz
    Maurício Lacerda Nogueira, FAMERP
    Paulo César Peregrino, UFMG
    Paulo Michel Roehe, UFRGS
    Ricardo Ishak, UFPA
    Diretoria Atual
    Fernando Rosado Spilki, FEEVALE
    Flávio Guimarães da Fonseca, UFMG
    João Pessoa Araújo Júnior, UNESP
    Fabrício Souza Campos, UFT
    Jônatas Santos Abrahão, UFMG
    Luciana Barros de Arruda, UFRJ

    Deixe seu comentário →

Deixe seu comentário

You must be logged in to post a comment.