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NOTA DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE VIROLOGIA SOBRE NOTICIAS FALSAS RELACIONADAS A VACINA DE mRNA

Autor: SBV em 20/01/2022

Sobre as informações que vem sendo veiculadas em redes sociais e aplicativos de mensagens afirmando que a vacina de mRNA contra COVID-19, produzida pela empresa Pfizer-BioNTech, causa infertilidade e produz substâncias tóxicas no organismo das crianças, a Sociedade Brasileira de Virologia vem esclarecer que tais informações são FALSAS.

Uma das notícias falsas afirma que a proteína Spike é semelhante à uma chamada Sincitina-1 que é importante para a formação da placenta e que os anticorpos produzidos atacariam esta proteína levando à esterilidade. A proteína Sincitina-1 possui apenas 4 aminoácidos, de seus 538, semelhantes a Spike o que não é suficiente para levar ao reconhecimento cruzado e assim o estabelecimento de resposta autoimune. Está comprovado, contudo, que o vírus SARS-CoV-2 é capaz de infectar células dos sistemas reprodutores feminino e masculino, e ainda não está claro se esta infecção pode deixar sequelas como a esterilidade.

Uma outra noticia falsa alega que o imunizante faz com que o organismo da criança produza proteínas Spike tóxicas e que estas causam danos permanentes aos órgãos. Também afirma que essas proteínas modificam geneticamente o vacinado. A vacina de em questão é composta por uma molécula de RNA mensageiro, envolta em lipídeos, que contém a informação para produzir a proteína Spike. Quando a vacina é injetada, o mRNA é liberado no citoplasma das células do local da aplicação, que são as células musculares. A proteína Spike, é então produzida pela maquinaria celular do hospedeiro, no citoplasma. É importante ressaltar que mRNA e proteína Spike não entram no núcleo das células e que, portanto, não interagem com o DNA celular, nosso material genético, impossibilitando qualquer modificação genética. As proteínas Spikes produzidas são apresentadas às células do sistema imunológico presentes no local da aplicação desencadeando a resposta imunológica contra este fragmento do vírus SARS-CoV-2. Este processo de produção de proteína Spike não ocorre indefinidamente, após alguns dias o mRNA da vacina é degradado e as proteínas Spike produzidas também. Assim, caso houvesse qualquer toxicidade relacionada a proteína Spike produzida pela aplicação da vacina esta seria detectada durante os ensaios clínicos, o que não ocorreu, e não a longo prazo como alguns sugerem.

A SBV ressalta ainda que as informações veiculadas não são acompanhadas de qualquer documentação científica, ao contrário dos dados de segurança e eficácia das vacinas que estão altamente documentados por estudos clínicos sérios que passaram pela análise rigorosa de agências regulatórias altamente conceituadas em diversos países do mundo e apenas então foram aprovadas para uso. A veiculação destas informações por cientistas não as faz verdadeiras. O verdadeiro cientista trabalha em cima de dados que são revisados por seus pares e só então publicados como informação científica relevante e confiável.

A SBV reitera que todas as vacinas aprovadas para uso no país em crianças e adultos são eficazes e seguras. Apesar de apresentarem doença mais branda, crianças podem desenvolver doença grave, até mesmo acarretando em morte. A população infantil, se não vacinada, pode se tornar reservatório importante de circulação do vírus impedindo assim que a pandemia seja controlada. A contínua circulação do vírus e a alta no número de casos, pode ocasionar o surgimento de novas variantes que sejam mais patogênicas em crianças. Todos esses fatores fazem da vacinação infantil fundamental para a proteção desta população e controle da pandemia de COVID-19.

Sociedade Brasileira de Virologia ? SBV

Belo Horizonte, 18 de Janeiro de 2022


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