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Encerramento da COVID-19 como emergência de saúde pública de interesse internacional pela Organização Mundial da Saúde

Autor: SBV em 06/05/2023

O diretor geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou na sexta-feira (05/05/2023) que a COVID-19 agora é identificada como um problema de saúde estabelecido e contínuo e não constitui mais uma emergência de saúde pública de interesse internacional (public health emergency of international concern - PHEIC). A decisão foi acordada durante a décima quinta reunião do International Health Regulations Emergency Committee (IHR) sobre a pandemia da COVID-19. A decisão vem de um acompanhamento do cenário epidemiológico da doença, destacando a diminuição de óbitos, hospitalizações e internações devido à doença e os altos níveis de imunidade da população ao SARS-CoV-2. Além disso, as variantes atualmente circulantes não parecem estar associadas ao aumento da gravidade.


Apesar da boa notícia, o encerramento enquanto emergência de saúde pública de interesse internacional não representa o fim da preocupação com a COVID-19. O risco global permanece alto e deve-se alterar o gerenciamento da doença para um problema de saúde contínuo. Sendo assim, o diretor geral também anunciou a publicação do Plano Estratégico de Preparação e Resposta à COVID-19 2023-2025, concebido para orientar os países na transição para a gestão a longo prazo da doença. Esse plano descreve ações importantes a serem consideradas pelos países em cinco ações centrais: vigilância colaborativa, proteção da comunidade, atendimento seguro e escalável, acesso a contramedidas e coordenação de emergência. O diretor Dr. Adhanom Ghebreyesus afirmou que, se necessário, o comitê poderá ser reconvocado se a doença representar novamente um risco global.

O novo coronavírus, severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 (SARS-CoV-2), foi identificado em dezembro de 2019 e em março de 2020 sua emergência atingiu o patamar de uma pandemia, sendo declarado pela OMS uma doença com emergência de saúde pública de interesse internacional. Globalmente, foram relatados mais de 765 milhões de casos confirmados e mais de 6,9 milhões de óbitos. No Brasil, mais de 37 milhões de casos confirmados e mais de 700 mil óbitos. Desde o início da vacinação contra a COVID-19, foram administradas 13,3 bilhões de doses de vacinas no mundo, sendo mais de 500 mil doses no Brasil.

O Prof. Dr. Fernando Rosado Spilki, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV) (gestão 2019-2020), acompanhou o início da emergência na China e o anúncio da pandemia no começo de 2020 durante a sua gestão. Segundo ele, "a situação brasileira acompanha o que tem sido observado e ressaltado pela OMS no resto do mundo. Desde o ano de 2022, o Brasil encontrase em um cenário de menos casos da doença e, principalmente, de menos impacto no sistema de saúde, mas ainda requer atenção no sentido de que a doença continua importante e inspira responsabilidade das autoridades sanitárias e dos indivíduos com cuidado em manter o calendário vacinal em dia". Ele também ressalta a importância do trabalho dos cientistas nesse processo e complementa que a ciência brasileira teve um grande protagonismo em auxiliar a humanidade no enfrentamento da crise e estamos a postos para problemas desse caráter no futuro.

O Prof. Dr. Flávio Guimarães da Fonseca, presidente da SBV (gestão 2021-2022), participou do enfrentamento da COVID-19 durante toda a sua gestão. Ele comenta que "hoje é um dia histórico porque temos de celebrar o final de uma condição emergencial pandêmica declarada há três anos, porém algumas coisas devemos manter em mente. A condição pandêmica epidemiológica se mantém, o SARS-CoV-2 é um vírus que ainda convive conosco em todos os lugares do mundo, no mesmo momento cronológico, que é a condição canônica de uma pandemia. Por isso, é importante manter em mente que continuamos em uma condição de pandemia, embora a emergência global tenha diminuído em razão dos altos índices de vacinação e dos baixos índices de internações e óbitos". Ele ressalta ainda que "Devemos sair melhores do que entramos nessa pandemia, se antes tínhamos uma certa noção das condições ideais do ponto de vista sanitário, hoje temos uma outra noção e é o que chamamos de novo normal. Nós aprendemos ao longo desses três anos como fazer isso. É importante que as pessoas tenham noção dos limites, como por exemplo, se estamos com sintomas respiratórios não devemos nos encontrar com muitas pessoas e manter o uso de máscaras em certas circunstâncias. Essas são as novas noções que temos de ter em relação a essa condição sanitária atual em relação há de três anos atrás."

A Profa. Dra. Helena Lage Ferreira, presidente da SBV (gestão 2023-2024), acompanha o início da transição marcada pelo fim da emergência e início das ações para o gerenciamento da COVID-19 a longo prazo. Ela lamenta o número de óbitos no Brasil causados pelo vírus e os vários desafios enfrentados em diferentes momentos da pandemia. Ao mesmo tempo, destaca que precisamos celebrar a ciência e os cientistas brasileiros no enfrentamento da COVID-19. Ela destaca "só estamos nesta fase de transição porque houve a participação profissionais de perfis distintos necessários para enfrentar situações de emergência. Os virologistas da Sociedade Brasileira de Virologia trabalharam em diversas frentes como diagnóstico, vigilância genômica, tratamentos, vacinas, divulgação científica para que as políticas públicas fossem baseadas na Ciência".

A Sociedade Brasileira de Virologia celebra o encerramento da fase de emergência e parabeniza a todos que contribuíram para chegarmos até aqui. A SBV continuará empenhada nesse trabalho e segue atenta às novas emergências sanitárias para que possa continuar contribuindo com o Brasil. Além disso, ressalta manter o estado de vigilância, incentivo à saúde, ciência e pesquisa, assumindo seu papel de comprometimento com a virologia.

São José do Rio Preto, 06 de maio de 2023.

Diretoria Jr. da SBV e Diretoria da SBV

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