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23/03/2017 - O vírus da Febre Amarela e a atual epidemia no Brasil

O vírus da febre amarela é um patógeno de origem africana, introduzido no Brasil mediante o tráfico de escravos junto com o transmissor Aedes aegypti, que vem causando epidemias no país desde o século XVII. Este arbovírus e seu vetor urbano, também africano, causaram dezenas de epidemias no Rio de Janeiro por cerca de 60 anos matando mais de 50.000 pessoas e o vírus também se espalhou para outras cidades de regiões do país. Entretanto, é notável que o vírus amarílico, em algum momento, se adaptou a um ciclo silvestre acometendo primatas americanos e mosquitos da copa das árvores que se alimentam nestes animais. Surge assim o ciclo silvestre da febre amarela, descoberto no Espírito Santo na década de 1930, e tem sido este ciclo que tem mantido o vírus amarílico no Brasil nos últimos tempos, desde 1942 quando ocorreram os últimos casos de febre amarela urbana no Acre.


A febre amarela é endêmica na Amazônia e Centro-Oeste onde ocorrem epizootias com mortes de macacos nessas duas regiões, o acometimento humano se dá principalmente nas pessoas que vivem nessas áreas que não estejam vacinadas ou migrantes e viajantes que para lá se dirigem. Com relativa frequência estas epizootias de primatas têm chegado ao sudeste e sul do país, caminhando principalmente por florestas de galeria remanescentes, seguindo o trajeto de rios, onde vivem primatas. A epizootia atual, de 2016-2017, mostrou-se a maior de todas, produzindo uma epidemia com ocorrência de milhares de seres humanos, particularmente no leste de Minas Gerais e Espírito Santo, mas também nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Considerando os antecedentes históricos e a proximidade dos surtos com grandes cidades como Belo Horizonte, Vitória e Rio de Janeiro, infestadas de Aedes aegypti, é real o risco de reurbanização da febre amarela, a depender dos índices de infestação vetorial do vetor urbano da febre amarela.


Por outro lado, desconhece-se a exata proteção vacinal das populações dessas grandes cidades, mas supõe-se que não chegue a 50%. Existe, portanto, risco de que a introdução do vírus nessas cidades desencadeie surtos urbanos de febre amarela. Felizmente, dispomos de uma vacina antiamarílica (17DD) altamente imunogênica e que deve ser imediatamente usada em campanhas nos locais onde estejam ocorrendo esta epizootia, e é muito importante, nesses grandes centros urbanos, que a meta deve-se buscar alcançar coberturas vacinais protetoras das populações, maior que 90%, e combater o mosquito transmissor urbano para níveis de infestação abaixo de 5%, somente com essas duas medidas juntas, podemos ter segurança de que não haverá a re-urbanização da febre amarela. É ainda vital na situação atual que se reforcem os sistemas de vigilância para o monitoramento da epizootia em primatas não humanos.


Nós da Sociedade Brasileira de Virologia acompanhamos com cautela e preocupação o atual surto e pedimos a todas as pessoas que vivem em áreas de risco que procurem um posto de vacinação para diminuir a chance de ocorrência de um surto urbano de Febre Amarela.


São José do Rio Preto, 22 de março de 2017.


Dr Mauricio Lacerda Nogueira
Presidente da SBV
Biênio 2017 – 2018



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